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domingo, 6 de julho de 2014

Soneto da anticidade

Planejadores oficiais insistem em fazer de Belo Horizonte
linda linda linda de embalar saudade
mais uma triste anticidade
Carlos Drummond de Andrade




O poeta de Itabira, ao seu tempo, avisara
numa triste canção, hoje visionária, 
o rápido transformar do horizonte,
o lento secar de suas fontes.

Empertigados e solenes burocratas,
em mais uma negociata (que bravata!)
matam o Arrudas, rio de se admirar,
chamando boulevard o ato de enterrar.

Canalizam, retificam - que vantagem!
Reificam, coisificam - tudo imagem!
E o Arrudas a perecer em nossa paisagem.

Em sua calma aparente, docilidade,
ele segue, rio-metáfora (que coragem!)
de nossa triste - e linda - anticidade.

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