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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A ILHA


Pequena, ovalada. Muitas árvores homogeneizando o verde. Uma partícula branca (ou será prateada? Minha miopia, mesmo corrigida, não me permite diferenciar). Um ponto branco (acho mesmo que é branco) destaca-se ligeiramente por cima do verde: um farol, há muito abandonado, já quase engolido pelas árvores, imensos vestígios da atlântica que restou.

Desvio meus olhos da ilha e pouso-os sobre um menino. Um menino que brinca na areia, fazendo riscos à esmo, criando formas, desenhos abstratos, intangíveis mesmo para a imaginação mais fértil.

O que passará pela sua mente?

Ele pára. Mexe um montículo de areia. Decerto sonha. Seus pensamentos voam, longe das tolas preocupações  que fazem os citadinos descerem apressados a Serra do Mar, em mais um fim-de-semana de sol. Nessa fuga, enchem ruas, praças e avenidas; entopem rodovias de dez pistas, praias e cachoeiras com seus carros, cães e guarda-sóis, suas buzinas, suas músicas de mau gosto.

Com sua fumaça, suas bitucas de cigarro, deixam seus rastros. Nisso, se parecem com os casais apaixonados que, tendo à mão um canivete, precisam deixar no tronco nu da árvore frondosa suas iniciais dentro de um coração trespassado por uma flecha.

Antes fosse. Mas não. As marcas desses homens e mulheres são registros da sociedade de consumo
que eles próprios reinventam, cotidianamente.

Um comentário:

  1. Essa Poesia e Muito Enportante Para Todos..
    By: Caio 6E ..

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