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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A ILHA


Pequena, ovalada. Muitas árvores homogeneizando o verde. Uma partícula branca (ou será prateada? Minha miopia, mesmo corrigida, não me permite diferenciar). Um ponto branco (acho mesmo que é branco) destaca-se ligeiramente por cima do verde: um farol, há muito abandonado, já quase engolido pelas árvores, imensos vestígios da atlântica que restou.

Desvio meus olhos da ilha e pouso-os sobre um menino. Um menino que brinca na areia, fazendo riscos à esmo, criando formas, desenhos abstratos, intangíveis mesmo para a imaginação mais fértil.

O que passará pela sua mente?

Ele pára. Mexe um montículo de areia. Decerto sonha. Seus pensamentos voam, longe das tolas preocupações  que fazem os citadinos descerem apressados a Serra do Mar, em mais um fim-de-semana de sol. Nessa fuga, enchem ruas, praças e avenidas; entopem rodovias de dez pistas, praias e cachoeiras com seus carros, cães e guarda-sóis, suas buzinas, suas músicas de mau gosto.

Com sua fumaça, suas bitucas de cigarro, deixam seus rastros. Nisso, se parecem com os casais apaixonados que, tendo à mão um canivete, precisam deixar no tronco nu da árvore frondosa suas iniciais dentro de um coração trespassado por uma flecha.

Antes fosse. Mas não. As marcas desses homens e mulheres são registros da sociedade de consumo
que eles próprios reinventam, cotidianamente.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

BRASIS

No país do futebol
reina a democracia
da corrupção, em prol
da hipocrisia

No país do sol
polícia na universidade
e, no arrebol,
cadê a liberdade?

No país em caracol
violência em espiral
por baixo do lençol

No país,  um farol
alumia a esperança
que nasce no meu quintal




LUTO


A Edilene Maris, Gustavo e Luis Augusto


Luto pela dor da tragédia,
sempre anunciada,
na rodovia da morte,
pelo descaso das autoridades


Luto pela humana irracionalidade
da louca corrida, da alta velocidade


Luto pela fatalidade
do irmão ferido,
do filho morto,
do companheiro vencido

Luto pela vida das crianças,
dos nossos filhos da classe trabalhadora
pela sua docilidade

Luto pela vida dos que não conheci,
arrancada com brutalidade,
na qual me reconheci

Luto pela esperança,
para vê-la renascer no sofrimento
da luta por uma  justa sociedade

Luto, e continuarei lutando
Com força e serenidade.
De luto.