ÚLTIMAS POSTAGENS

terça-feira, 10 de julho de 2012

quarta-feira, 30 de maio de 2012

domingo, 13 de maio de 2012

sexta-feira, 11 de maio de 2012

SÁBADO

À Betânia e ao Cris Scarpelli

No alto cruzeiro
a reza é diferente:
adulto vira criança
em jogo irreverente!

terça-feira, 1 de maio de 2012

ACEROLA

Para a Bella, Luan e Maria Antônia

Miúda acerola:
do lume, seu azedume,
doce, me consola

segunda-feira, 30 de abril de 2012

sábado, 28 de abril de 2012

terça-feira, 24 de abril de 2012

segunda-feira, 23 de abril de 2012

sábado, 14 de abril de 2012

O MOSQUITO

Vem, dengoso,
o mosquito curioso.


Nascido  no mangue
voa atrás de sangue.


Atrás da hemácia
supera qualquer audácia.

A fêmea, vampira,
do sangue a retira.

Água limpa e parada
é a sua morada.

No pneu, a chuva
lhe cai como luva.

No pote vazio
nasce sadio.

Pica o doente
antes do poente.

Com vírus na saliva
voa à deriva.

Nova picada:
a doença disseminada.

Ao seu passar ruidoso
o corpo fica moroso.

A febre, um sinal.
O sofrimento, geral.

A dor de cabeça
lhe prega uma peça.

Na articulação
pode ser confirmação...

Acabou o merengue:
estou com dengue!


quarta-feira, 11 de abril de 2012

segunda-feira, 9 de abril de 2012

RECOLHIMENTO MOLUSCULAR

Para o Erick Takahashi,
de quem tomo de empréstimo 
a expressão-título do poema


Da concha, o caracol
ausculta  o mundo:
tentáculo-farol









domingo, 8 de abril de 2012

NADA A COMEMORAR

Domingo de Páscoa, 8 de abril de 2012

Ovos de chocolate
parindo brinquedos

Maria, Maria...

Passeio no parque
Subir as montanhas
ficar perto das nuvens
cobertas de cinza
verde musgo
azul profundo

Sobrevivi a Cristo

O vazio natalício
já era previsto!





MILLÔR (2ª versão)

De Millôr, num pulo
para Bashô:
suave mergulho
                (plóóp!)

sábado, 7 de abril de 2012

quinta-feira, 5 de abril de 2012

MILLÔR


Num pulo: de Millôr, 
um mergulho
para Bashô


Uma singela homenagem àquele que me apresentou 
o fascinante mundo dos haikais

domingo, 1 de abril de 2012

EXPERIMENTE!

Sugestão do dia: Viviane Mosé

Da SEQUÊNCIA "POEMA-PRESO" - SEM TÍTULO


muitas doenças que as pessoas têm são
poemas presos
abscessos tumores nódulos pedras são
palavras
calcificadas
poemas sem vazão

mesmo cravos pretos espinhas cabelo
encravado
prisão de ventre poderia um dia ter sido
poema

pessoas às vezes adoecem de gostar de palavra
presa
palavra boa é palavra líquida
escorrendo em estado de lágrima




lágrima é dor derretida
dor endurecida é tumor
lágrima é alegria derretida
alegria endurecida é tumor
lágrima é raiva derretida
raiva endurecida é tumor
lágrima é pessoa derretida
pessoa endurecida é tumor
tempo endurecido é tumor
tempo derretido é poema


(Poemas do livro PENSAMENTO CHÃO. Sete Letras, 2001. In: http://vivianemose.com.br/#)


sexta-feira, 30 de março de 2012

segunda-feira, 26 de março de 2012

terça-feira, 20 de março de 2012

sábado, 17 de março de 2012

segunda-feira, 5 de março de 2012

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A ILHA


Pequena, ovalada. Muitas árvores homogeneizando o verde. Uma partícula branca (ou será prateada? Minha miopia, mesmo corrigida, não me permite diferenciar). Um ponto branco (acho mesmo que é branco) destaca-se ligeiramente por cima do verde: um farol, há muito abandonado, já quase engolido pelas árvores, imensos vestígios da atlântica que restou.

Desvio meus olhos da ilha e pouso-os sobre um menino. Um menino que brinca na areia, fazendo riscos à esmo, criando formas, desenhos abstratos, intangíveis mesmo para a imaginação mais fértil.

O que passará pela sua mente?

Ele pára. Mexe um montículo de areia. Decerto sonha. Seus pensamentos voam, longe das tolas preocupações  que fazem os citadinos descerem apressados a Serra do Mar, em mais um fim-de-semana de sol. Nessa fuga, enchem ruas, praças e avenidas; entopem rodovias de dez pistas, praias e cachoeiras com seus carros, cães e guarda-sóis, suas buzinas, suas músicas de mau gosto.

Com sua fumaça, suas bitucas de cigarro, deixam seus rastros. Nisso, se parecem com os casais apaixonados que, tendo à mão um canivete, precisam deixar no tronco nu da árvore frondosa suas iniciais dentro de um coração trespassado por uma flecha.

Antes fosse. Mas não. As marcas desses homens e mulheres são registros da sociedade de consumo
que eles próprios reinventam, cotidianamente.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

BRASIS

No país do futebol
reina a democracia
da corrupção, em prol
da hipocrisia

No país do sol
polícia na universidade
e, no arrebol,
cadê a liberdade?

No país em caracol
violência em espiral
por baixo do lençol

No país,  um farol
alumia a esperança
que nasce no meu quintal




LUTO


A Edilene Maris, Gustavo e Luis Augusto


Luto pela dor da tragédia,
sempre anunciada,
na rodovia da morte,
pelo descaso das autoridades


Luto pela humana irracionalidade
da louca corrida, da alta velocidade


Luto pela fatalidade
do irmão ferido,
do filho morto,
do companheiro vencido

Luto pela vida das crianças,
dos nossos filhos da classe trabalhadora
pela sua docilidade

Luto pela vida dos que não conheci,
arrancada com brutalidade,
na qual me reconheci

Luto pela esperança,
para vê-la renascer no sofrimento
da luta por uma  justa sociedade

Luto, e continuarei lutando
Com força e serenidade.
De luto.