ÚLTIMAS POSTAGENS

domingo, 25 de setembro de 2011

PROVA


Coça a cabeça,
limpa o suor,
morde o lápis.

Olha para os lados,
olha para o teto,
olha para o nada.

Abana o calor.
Cochila. Acorda.
Pensa. Sua.

Escreve, apaga; escreve de novo.
Olha para o relógio:
faltam cinco minutos.

O menino olha pela janela de vidros quebrados,
buracos cobertos com papelão.
Vê o sol.

Chega a sentir seu morno calor
a aquecer-lhe o corpo.
Quase experimenta a brisa suave da manhã
a balançar a árvore, delicadamente.

Suspira...


Bola, chuteira, campinho.
Menina, namorada, mulher.
Goiabada com queijo,
cheirinho de alho fritando na panela,
conversa com os amigos.

Suspira...

Olha novamente para o relógio:
dois minutos...

A espera transbordando,
o pensamento voando,
a barriga roncando,
o sono chegando...

Sinal sonoro: ufa!

4 comentários:

  1. Seu poema me fez lembrar de uma prova de química
    "(...)Escreve, apaga; escreve de novo.
    Olha para o relógio (...)
    Pensa. Sua.(...)"
    Foi no primeiro colegial, passei pelo funil e olha comecei pelo lado onde deveria ser a saída.... hahaha
    seu poema me trouxe um cheiro do passado...

    ResponderExcluir
  2. Olá!
    Muito bom! Conseguiste captar o sentimento de inúmeros garotos que vivem (ou viveram)momentos de angústia diante de um papel que nada tinha de significativo para ele. Sinal sonoro, símbolo da liberdade para o seu viver...
    Abraço.

    ResponderExcluir
  3. este poema é realmente muito bom. não é ovação, não... sonhei com a situação, como se me lembrasse da professora das idéias, até das perguntas... Cristo!!! Nada é mais inportante e substancialmente mais apavorante do que "A Prova"!

    ResponderExcluir
  4. Obrigada pelos comentários!
    Eder, não é ovação, é generosidade de sua parte... abraços!!

    ResponderExcluir