ÚLTIMAS POSTAGENS

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A GREVE


Estranha era a escola silenciosa,
assim como estranha foi um dia
a fábrica inativa de Neruda.

Nela, somente espaços sem vida:
carteiras e salas vazias;
corredores de paredes pichadas
que jaziam imóveis.

Nos quadros brancos,
que um dia já foram negros,
liam-se as últimas lições,
largadas displicentemente
após o derradeiro sinal sonoro.

Em uma das salas,
não se via na lousa as velhas fórmulas incompreensíveis,
as frases partidas ao meio,
os desenhos bizarros.
Somente uma palavra:
GREVE

Paralisamos a escola.
Mas, fizemos o mesmo com as avaliações?
Interrompemos as rotulações?
E as segregações?

Apenas o eco me responde
naquele corpo sem vida
naquela sombra sem corpo
naquela escola em greve.

Nenhum comentário:

Postar um comentário