domingo, 31 de julho de 2011

MULHER DE BRANCO

                                                                     para Danice
Mulher de branco
apareceu na estrada.
Uma menina ficou lívida.
A outra deu risada.

Mulher de branco
apareceu no quintal.
Uma menina em seco engoliu.
A outra dormiu, dormiu.

Mulher de branco
deixou de aparecer.
A outra sentiu saudade.
A menina achou realidade.

domingo, 24 de julho de 2011

ESPIGÕES


Do alto de areias movediças
vejo espigões, como de cortiça.
Imponentes, sempre crescentes,
em movimentos circulares flutuam,
                                   insistentes.
Rompem a paisagem
Em desalinho trocam as peças da engrenagem
Por força do pensamento
erguem-se, titânicos,
almejando o firmamento
Como se fosse possível
a uma simples gota
esvaziar o oceano.

sábado, 23 de julho de 2011

O VELHO E A RUA




Rua inclinada
curva o velho
a se equilibrar

Pende para cá
pende para lá
Inclinação, outro lugar

Velho a escorregar,
equilíbrio a conquistar

Na curvatura da rua,
a vara enverga
oblíquo velho: obliterar
Em declive, se acabar

Poema: Daniela Versieux
Fotografia: Marcelo César