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sexta-feira, 17 de junho de 2011

SOBRE INSETOS, PALESTINOS E ISRAELENSES


Esmaguei mais um inseto. Um mísero e desprezível inseto foi eliminado do mundo. Ele estava ali, grande para um inseto e pequeno para mim. Não tive dúvidas: fi-lo impiedosamente.

Eu sabia que estava invadindo o seu espaço, a mata atlântica. Mas, agora, já era tarde. O espaço era meu e pronto. Nada mais havia a ser feito.

Aquele ato, consciente, me faz pensar no Estado de Israel. Os judeus chegaram, esmagaram e declararam: "Agora, é nosso!". Senti-me como um israelense esmagando um palestino. Para aqueles, este não é nada, assim como os insetos não o são para mim.

A forma como, simplesmente, peguei uma caixinha de fósforos e a prensei contra o seu corpo débil, frágil e vacilante; a maneira displicente como eu rolei seu corpo pela mesa até cair no chão trouxe-me outra imagem. A do corpo de um judeu esquelético (ou comunista ou cigano ou latino talvez) rolando para uma vala comum(itária) num campo de concentração nazista. Débil, frágil, mas não mais vacilante.

Só não há pilhas de insetos no fundo da vala, em volta de meus pés. Mesmo porque os insetos são imperceptíveis depois de mortos.


Daniela Versieux - fevereiro-março/2010

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